O que é isto? Isto é um Índice

Por sua vez, isto não é um blogue, é um livro. Que reúne pesquisas realizadas em Angola, Brasil e Portugal (cito por ordem alfabética), desenvolvidas investigando bibliotecas digitalizadas.

Aqui também temos partes, capítulos e subcapítulos. Acessam-se clicando sobre as abas, no topo, ou recorrendo à lupa de pesquisa. Mas o fio tradicional é o do índice (neste caso, alfabético). Puxe por ele:


  1. A circulação de livros em Recife-Olinda (antes de começarmos a ler e comentar as referências bibliográficas clássicas e românticas, espreitamos o importante mercado livreiro recifense, do qual os angolenses desfrutaram largamente. Teremos em conta o seu congénere do Rio de Janeiro, já mais estudado e divulgado hoje e, portanto, nos exigindo menos atenção)
  2. Além de Angola: romantismos lusógrafos (Além de Angola, a ambiência intelectual e poética lusófona de Cordeiro da Mata e seus pares incluía a Marquesa de Alorna, Bocage, Almeida Garrett, Camões, Camilo Castelo Branco, Gonçalves Crespo, Álvares de Azevedo (Garmes, 2006 p. 221), Bulhão Pato, João de Deus, Luz Soriano, Tomás Ribeiro, Pinheiro Chagas, Júlio César Machado, Teixeira Bastos e, muito possivelmente, Gonçalves Dias (lido e citado por Maia Ferreira) e João de Lemos (de que também não vi nenhum sinal ainda nas bibliotecas de Luanda, embora frequente epígrafes dos nossos vates). Eventualmente leu também Cordeiro da Mata os escritos do novelista madeirense e republicano Afonso Botelho, que viveu em Angola, onde foi corredator de O imparcial, em Lisboa (onde colaborou na imprensa ligada à Geração de 70) e em Nova Iorque, onde veio a falecer desiludido e retirado)
  3. Alguma circulação bibliográfica (1855-1899) (Visto o período imediatamente anterior a Maia Ferreira (e Arsénio de Carpo), revisto resumidamente o ambiente bibliográfico, familiar e comercial do Recife e do Rio de Janeiro ligado a Angola, tentei saber de bibliotecas da segunda metade do século XIX na então colónia)
  4. Alguma circulação bibliográfica até 1850 (não tenho ainda como definir o alcance e o perfil mais precisos das migrações bibliográficas antes de 1850. Faço, portanto, um breve e grosseiro traçado de quanto pude perceber em relação ao período imediatamente anterior a 1827. Para o período seguinte, pela mesma falta de fontes angolanas, estudo referências brasileiras relativas aos anos entre 1827 e 1849)
  5. Angola-Brasil: figuras e livros (As figuras da história literária angolana que mais próximas estiveram do Recife e dos mercados brasileiros, por coincidência, foram as duas únicas importantes da poesia lírica na primeira metade do século, os nossos dois primeiros românticos: o comerciante reinol Arsénio de Carpo (1792-1869) e o angolense migrante José da Silva Maia Ferreira (1827-1867) – ordenados pela data de nascimento. Estudarei neste capítulo os ambientes brasileiros que eles frequentaram e como os livros - quais? - rodavam por esses mercados)
  6. Angola e Recife-Olinda - incluindo família de Maia Ferreira (na zona de Recife-Olinda havia ensino superior prestigiado, um bom ensino ‘médio’ e a possibilidade de encontrarmos o rasto de famílias de comerciantes angolanos, ligados ou não ao negócio da escravatura, que era também o do pai de José da Silva Maia Ferreira. Esta zona, contrastada com o que recolhesse em Luanda, Benguela e Rio de Janeiro, permitia-me precisar alguns aspetos do horizonte bibliográfico no qual a nossa literatura começou a fase sistemática e de publicação. Lembremo-nos de que aí comerciaram, residiram e estudaram familiares do poeta, bem como Arsénio de Carpo e a famosa D.ª Ana Joaquina)
  7. Cardeal Saraiva e a retórica poética da História (uma obra que terá circulado entre nós foi a do Cardeal Saraiva, figura canónica do liberalismo português. A sua visão de uma retórica e poética da História nos dava também lições que serviam à literatura. Por isso a estudei nesta secção) 
  8. Começando com os clássicos (até 1850, oclássicos gregos e latinos ocupavam lugar importante nestes mercados, como era de esperar – e mais comuns os latinos do que os gregos, em particular onde havia Estudos Jurídicos e Eclesiásticos)
  9. Contemporaneidade dos poetas angolenses - poéticas em circulação (levantamento das obras metapoéticas em circulação na colónia de Angola entre 1878 e 1900 e sua relação com a nossa poesia)
  10. Dionísio de Halicarnasso: História como Literatura (A História foi considerada por críticos e teóricos eminentes, como Dionísio de Halicarnasso (54 AC), historiador e professor de Retórica em Roma, um género literário até bem dentro do século romântico)
  11. Dois ultrarromânticos portugueses em Angola (Ernesto Marecos e Cândido Furtado; seus contributos)
  12. Economia (Associados em geral à discussão política andavam também os economistas da época, tanto mais que a disciplina de Economia Política era dada no quarto - e último - ano do Curso Jurídico de Olinda e temáticas em torno de propriedade, finanças, desenvolvimento, agitavam a pequena comunidade literária local)
  13. Filosofia, Direito - e política ainda (Tanto para os estudos jurídicos quanto para uma sociedade - a colonial angolana - comerciando com praças brasileiras, portuguesas, americanas em geral e europeias em geral, os livros de Direito se tornavam necessários. Eles também veiculavam princípios filosóficos e respetivas consequências ou ilações políticas. Daí que os estudemos, pois assim formaram também a visão do mundo dos nossos poetas. Em particular, nesta secção ganha destaque a obra de Rousseau)
  14. Histórias 'literárias' e algumas outras (Nesse tempo, no Atlântico luso-tropical - se preferem, no atlântico tropical onde o português era uma língua franca para o circuito África-Brasil, etc. - o horizonte de leituras abarcava clássicos gregos e latinos, História religiosa, História Natural (incluindo uma Enciclopédia, um Atlas e um Dicionário de História Natural), História das revoluções (sobretudo a francesa). Havia para quase todos os gostos e idades – e particularmente para gostos literários. E havia uma historiografia, melhor, uma teoria da história onde a retórica desempenhava papel importante. Exploro isso, particularmente no que diz respeito a Dionísio de Halicarnasso e à destacada figura do Cardeal Saraiva. Os exemplos de Histórias encontrados menciono sobretudo no capítulo seguinte)
  15. História de tempos antigos, antropologias (Histórias das origens, dos tempos mais recuados, assim como os primeiros desenvolvimentos da Antropologia, frequentavam também estes mercados e contribuíam para formar uma ideia do que fosse a Humanidade)
  16. Introdução (isto mesmo, introduzir o livro)
  17. Leque angolense de leituras literárias (A partir dos bibliófilos e escritores estudados é possível extrairmos também muitas informações sobre leituras em Angola no século XIX. Exploro algumas dessas possibilidades de pesquisa)
  18. Língua e Retórica (Passando a obras que, para além de aparelharem para a oratória jurídica ou política, para o debate filosófico ou científico, para a pregação e conversão, foram cúmplices próximas do campo literário, ou que para o seu estudo filológico são necessárias)
  19. Livros 'científicos' - breve nota (Resumo aqui, principalmente, os títulos que vi nas fontes angolanas e que tenham relação com rigor científico ou ciências exatas, ou simplesmente que tenham qualquer ambição científica de acordo com o 'espírito da época')
  20. Moral e Teologia (O pensamento político e o filosófico não andavam só misturados com a Economia. A Filosofia, particularmente a política, a Moral e a Teologia compravam-se e vendiam-se juntas, mesmo quando se confrontavam. É comum encontrarmos conservadores católicos e liberais protestantes, por exemplo, nos mesmos anúncios de livros ou nas mesmas bibliotecas
  21. Neoclássicos, arcádicos... (coabitava, com a bibliografia literária romântica - ainda muito incompleta - uma grande panóplia de autores clássicos, neo-clássicos, iluministas, racionalistas, enciclopedistas, outros de transição, que davam aos leitores contemporâneos uma visão da Literatura e do Romantismo (mesmo que só por envolvência) diferente da que temos hoje. Além disso, o próprio romantismo inicial, nas palavras de Antonio Candido, constituía, “em parte, desenvolvimento de premissas líricas do século XVIII” (Candido, 2000 p. 42))
  22. Notas complementares sobre as fontes utilizadas (especificação das maiores dificuldades encontradas e das limitações que me trouxeram)
  23. O significado de Maia Ferreira para a História da Literatura Angolana (incluindo atualização da biografia, interpretação de excertos e relação com o ambiente bibliográfico da época)
  24. Obras menos literárias (O sistema literário desenvolve-se numa constante articulação com os outros sistemas de conhecimento e de vida. Claro que não podia pesquisar todas as relações possíveis com todos esses sistemas. Ative-me aos que me pareceram, nesse tempo, mais relacionados com a produção poética)
  25. Pedro Félix Machado (incluindo atualização biográfica e relação com bibliografia e escolas literárias do seu tempo)
  26. Política (A discussão em torno das ideias liberais era central na época. Fazia-se, compreensivelmente, pró e contra. Entre os críticos encontrávamos autores que reagiram ao liberalismo (portanto reacionários, reativos, ou conservadores) e outros que refletiram sobre ele já depois das experiências liberais e também das experiências revolucionárias iniciadas em Maio de 1789, mas várias vezes renovadas ao longo do século XIX, sobretudo em Paris)
  27. Política e Economia, Filosofia, Teologia, Moral (Entre os livros de História e os de Filosofia surgiam polémicas, manifestos, ensaios e panfletos políticos. Embora para o romantismo político e literário a História tenha sido importante, nestes mercados a polémica ideológica aparece logo desde Fevereiro de 1827 com títulos dialogais como A facecia liberal e o Enthusiasmo constitucionalO contra censor pela galeria. Mas é claro que já circulava antes)
  28. Romantismo francês (O romantismo francês marcou bastante o pequeno meio literário angolense, como era de esperar (Figueiredo, 1924 p. 87) e desde logo pelas intertextualizações de José da Silva Maia Ferreira que Salvato Trigo referiu (Trigo, sd; Trigo, sd)).
  29. Romantismo ingénuo: dois exemplos recifenses (A mistura dos ideais de beleza e dos modelos poéticos neoclássicos e românticos, confirmando a panóplia bibliográfica de que o mercado angolano dava tímidos sinais, nota-se mais facilmente em livros ingénuos de estudantes do Curso Jurídico da “Academia de Olinda”. Estudei dois casos: Torres Bandeira e Araújo Barros)
  30. Romantismo inglês e... noveloso (A bibliografia romântica inglesa veio misturada, para estes mercados, com a indústria das novelas e muito por via de Walter Scott - mas não só. Daí que, na mesma secção, me debruce sobre as duas vertentes)
  31. Sinédoque de historiografia romântica (o Romantismo ainda cultivou a História como género literário superior e desse culto participaram escritores portugueses importantes para os nossos, entre eles se destacando Alexandre Herculano. O culto era também, como na antiguidade greco-latina, um culto estético)
  32. Tempos menos antigos (Histórias que se debruçavam sobre acontecimentos e figuras posteriores à queda do império romano, sobretudo acontecimentos recentes - onde se destacava a revolução francesa - tinham muita procura nos nossos mercados e acompanhavam a bibliografia política e literária. Daí que as estudasse também)
  33. Três bibliotecas importantes no último quartel do século XIX (as de Alfredo Troni, Urbano de Castro e Joaquim Eugénio de Salles Ferreira)
  34. Três poetas no rio Quanza (Cordeiro da Matta, Eduardo Neves, José Bernardo Ferrão)



A construção deste blogue-livro constituiu projeto de pesquisa (pesq-873) no âmbito do PPG-Letras da FURG (Universidade Federal de Rio Grande - RS - Brasil).


Comentários